
O Governo está a estudar a capacidade de fazer teletrabalho na Função Pública,por causa da crise energética. O ministro da Reforma do Estado,Gonçalo Matias,revelou,na quarta-feira,que não há decisões tomadas e é preciso avaliar a dimensão deste regime.
"Nós temos,em primeiro lugar,que avaliar a dimensão do teletrabalho na Função Pública,nós estamos a olhar para isso",disse o governante à RTP Antena 1,sublinhando que "não foi feita ainda uma avaliação desde a pandemia,portanto é preciso que essa avaliação seja bem feita".
O ministro disse ainda que "é preciso também distinguir aquilo que é frontoffice daquilo que é backoffice,esse trabalho está a ser feito,essa avaliação está a ser feita e depois serão tomadas as decisões".
Questionado sobre a aplicação deste regime na Função Pública,Gonçalo Matias atirou: "É algo que já estávamos a estudar,a avaliar,mas que só tomaremos decisões quando tivermos a informação segura".
O governante assegurou ainda que "há uma grande capacidade tecnológica do Estado",uma "capacidade instalada que não existia no passado para responder a estas necessidades".
As declarações do ministro foram no mesmo dia em que Bruxelas não apresentou recomendações para reduzir o consumo energético,como recurso ao teletrabalho ou alternativas ao avião e carro,mas garantiu que "continua claramente" a incentivar a União Europeia a fazer tal redução.
"Do lado da procura,continuamos claramente a incentivar os Estados-membros a fazer tudo o que puderem para reduzir o consumo,tanto porque isso ajudará na atual crise de preços em que nos encontramos,como porque pode ajudar a prevenir problemas de segurança de abastecimento no futuro",disse o comissário europeu da Energia,Dan Jørgensen,falando em conferência de imprensa,em Bruxelas.
A Comissão Europeia apresentou,um pacote de medidas para fazer face à crise energética causada pela guerra na região do Médio Oriente,no âmbito das quais anunciou a criação de um Observatório de Combustíveis para acompanhar as reservas,mas não mencionou,como constava de anteriores rascunhos,sugestões para diminuir o consumo energético.
"Quanto às medidas específicas que os Estados-membros deverão escolher,pensamos que o melhor é que sejam eles próprios a decidir. Creio que aquilo a que se refere é ao facto de eu ter dito que as recomendações da Agência Internacional da Energia eram,de facto,boas e penso que,de forma geral,não só podemos confiar como devemos também apoiar o importante trabalho desenvolvido pela AIE",explicou Dan Jørgensen.
Num rascunho anterior consultado pela Lusa,Bruxelas sugeria que os países da UE promovessem pelo menos um dia obrigatório de teletrabalho por semana,adotassem alternativas ao automóvel (como bicicletas partilhadas,partilha de veículos,mais veículos elétricos e maior utilização do transporte público) e evitassem viagens aéreas sempre que possível,na linha do que é recomendado pela Agência Internacional da Energia,mas isso não foi referido hoje.
Bruxelas não apresentou recomendações para reduzir o consumo energético,mas garantiu que "continua claramente" a incentivar a União Europeia a fazer tal redução
Lusa | 12:10 - 22/04/2026